Os perigos das plantas medicinais e automedicação

Livro Guia de Plantas Medicinais

Uso de plantas medicinais é muito antigo no mundo, tanto que a medicina começou com o uso das plantas. A partir da segunda metade do século XX, o uso de plantas como medicamentos começou a baixar. Alguns fatos marcantes estão o advento da descoberta do isolamento dos princípios ativos das plantas e fabricação dos medicamentos que começou com o ácido salicílico extraído do Salgueiro e feito o ácido acetissalicílico, medicamento que anti-inflamatório e que “afina o sangue” conhecido como AAS mais vendido até hoje pela Bayer, e também com a descoberta dos antibióticos como a penicilina extraída de um fungo.

Hoje em dia há ainda muitas pessoas que dependem exclusivamente de plantas medicinais para a cura de suas doenças. Elas são mais de locais pobres onde não tem acesso a saúde pública de qualidade. Por outro lado, a população possui fácil acesso às plantas medicinais e o conhecimento de que determinada planta faz bem contra uma doença, por meio de conhecidos, fazem as pessoas usarem-na. Isso acontece principalmente em cidades pequenas do interior onde as pessoas tem um convívio social mais forte.

Geralmente existem ervateiros que são as pessoas que colhem o material para a secagem e posterior venda em mercados públicos, feiras-livres ou até em lojas de produtos medicinais. Há diversos problemas relacionados à identificação de plantas, como as pessoas que colhem, vão à mata e escolhem “no olho”, com conhecimento informal. Essas pessoas não conhecem a taxonomia vegetal para saber distinguir uma planta de outra porém tem um convívio diário com as plantas, além de cultura adquirida de geração a geração. Isso pode ser um problema, pois como já foi mostrado, as pessoas podem se enganar e colher uma planta pensando que é outra.

Outro problema é sobre o armazenamento e secagem, onde uma secagem de muito tempo e de forma errada no sol forte direto faz a planta perder seus óleos voláteis. O Armazenamento irregular com umidade frequente favorece também a proliferação de fungos nas plantas gerando micotoxinas que depois vão ser consumidas no chá pelas pessoas e causar toxidade.

O uso de plantas medicinais por parte da população cresce no mundo. Em uma pesquisa nos EUA, em 1996 cerca de 33% das pessoas entrevistadas alegaram usar plantas medicinais para curar alguma doença. No ano posterior 1997, mais de 42% afirmavam que usavam na mesma quantidade de pessoas entrevistadas. Na Europa, exclusivamente na Alemanha, mais de 700 espécies de plantas são usadas como medicinais onde são vendidas ou utilizadas para fazer fitoterápico para venda. Esse país consome mais de 50% das ervas consumidas em toda a zona do Euro (a UE, União Europeia é um conjunto de países unidos em uma mesma moeda, o Euro onde todos possuem parcerias uns com os outros).

Há também alta prescrição de fitoterápicos e ervas para chá pelos médicos alemães e entre os mais receitados encontra-se o Ginkgo biloba, uma planta de espécie única desse gênero, gimnosperma que restou da evolução das plantas desde o carbonífero. É considerada uma planta sagrada pelos japoneses. Ela tem folhas em forma de leque e a planta serve para benefícios relacionados a estimulante do corpo.

O uso pela população é feito com o estímulo das pessoas tratando as ervas medicinais como fonte natural de cura para a saúde que não apresenta toxidade por ser natural, o que não é verdade. Há ervas listadas inclusive na farmacopeia popular, como por exemplo a planta Mãe-boa, que quando consumida com frequência danifica severamente o fígado, como há casos de pessoas que perderam até o seu fígado tendo que passar por transplante. Outro problema é sobre a interação com outras drogas ou até com o efeito de outras plantas. Uma planta usada quando o paciente está passando por quimioterapia pode interagir com as substâncias anti-câncer (que atacará as células com secreção maior de glicose, característica de células tumorais) e diminuir a eficácia do medicamento, por exemplo.

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Última atualização: 12 de março - 2017 às 17:20

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