A origem do nome científico vem do grego “erythros” que significa “vermelho” por causa do aspecto avermelhado da árvore de longe devido às suas flores com um tom avermelhado. Já “velutina” vem do latim por causa dos pelos (indumentos) na folha. Tem propriedade emoliente deixando o local de aplicação mais úmido provocando a transpiração. É usada largamente pelo uso popular principalmente como sedativo ou outros fins que atuem no sistema nervoso central e a maioria dos estudos feitos com elas batem com a eficácia relatadas pelo uso popular tornando a planta relativamente segura para uso medicinal caseiro. Seu uso é análogo ao da Valeriana, conhecida por ser tranquilizante para tratamento de insônia. Existe uma espécie já catalogada no site chamada Erythrina  dominguezii


Nome científico
Erythrina velutina

Outros Nomes

Basicamente todos os nomes populares são usados para outras espécies do gênero Erythrina spp. Suinã, Mulungu, Canivete, Sananduva, Muchocho, Pau-imortal, Corticeira, Mulungu-da-Caatinga, Pau-de-coral, Sanaduí, Sananduva, Suinan, Arbe à coral (Guiana), Bucare, Pinon da costa, Pinon espinosa (Cuba), Peonita (Venezuela), Cay-boung (Conchinchina), Chocho, Coral (Colômbia), Coral bean ree (Inglaterra) Imortelle (Martinica), Poró-branco (Costa Rica)


Família
Fabaceae (Leguminosae)

Características

Arbórea de grande porte

Decídua (tem caída de folhas em determinada época do ano)

Pode medir de 8 a 12 metros de altura

Com tronco de 40 a 70 cm de diâmetro

Fruto: Legume

Flores: Cor vermelha

Filotaxia: Alterna

Folhas compostas e com três foliolos cartáceos (chama-se trifoliolada e cartáceo significa que a folha é grossa e quebradiça) com pecíolo longo de 6 a 14 cm. A cor da face ventral é pulverulenta e a dorsal é verde claro, mais claro que a ventral. Na face dorsal ainda tem a pilosidade que dá nome ao epíteto específico. A pilosidade é feltrosa (feltro = um agregado de pelos como lá de carneiro). Os foliolos medem de 6 a 12 cm de comprimento por 5 a 14 cm de largura.

Floresce de agosto a dezembro (5 meses do ano, no que constitui um amplo aproveitamento de uso da energia para reprodução). Os frutos amadurecem entre janeiro e fevereiro. Ou seja, passam grande parte da vida anual em reprodução.

Fabaceae (Leguminosae) é uma das maiores família botânicas com 32 tribos, 650 gêneros e 1.800 espécies. Possui distribuição em regiões temperadas, frias e tropicais.

O gênero Erythrina é muito conhecido. Existe várias espécies desse gênero. Possui 110 espécies, 70 nativas da América e 12 no Brasil e Erythrina velutina é uma das mais conhecidas.

Classificação:

  • Reino: Plantae
  • Divisão: Magnoliophyta
  • Classe: Magnoliopsida
  • Ordem: Fabales
  • Família: Fabaceae (Leguminosae – Papilionoideae)
  • Subfamília: Faboideae

 


Componentes Químicos

No geral, possui alcaloides tetracíclicos do tipo eritrina, eritroidina (atividade paralisante) como d-tubocurarina. Outros alcaloides diferentes da eritrina (orientalina, N-oorientalina, protosinomenina, N-norprotosinomenina, isoboldina, eribidina, scourelina, coreximina, hipaforina, colina. Todos esses apanhados foram de espécies do gênero Erythrina, porém da E. velutina, que compõe esse artigo foram vistos (+)-eritralina, (+) eritratina, erivelutinona (2’,4’-dihidroxi-6-prenil-7-metoxi-isoflavanona) que é uma goma amarelada, e 4’-O-metil-sigmoidina. Homoesperitina e faseolidina que foi um evento marcante, a descoberta, pois ela ainda não havia sido isolada de uma Fabaceae. Benzenol, ácido cinâmico, acetato de tocoferol, alfa-amirina, estigmasterol, beta-amirina, beta-sisterol, lupeol. Hipaforina. Há também catequinas, esteroides, flavonois, flavonas, flavonoides, fenois, saponinas, taninos, triterpenoides e xantonas.


Benefícios no organismo e propriedades medicinais

AnestésicaCalmanteEmolienteSedativaSudorífica

Em 1877 data os primeiros estudos feitos com o gênero Erythrina por causa do conhecimento da ação do extrato das sementes de uma espécie dessa planta a E. americana. Depois veio a exploração dos estudos de outras espécies.

O extrato etanólico aplicado em gatos provocou diminuição da respiração e da pressão sanguínea. O extrato aquoso, estimulação da respiração. Um extrato aquoso e um extrato etanólico foi mitsturado e aplicado em sapos e observou-se atividade de enfraquecimento do músculo cardíaco, e quando no músculo do abdômen, diminuiu as contrações.

Espasmmolítica, depressora do sistema nervoso central, hipnótico, sedativo. Possui atividade no sistema opioide.

Com o extrato hidroalcoólico da casca da planta em ratos com características induzidas de que estavam uns com ansiedade outros com depressão, demonstrou um efeito ansiolítico no labirinto em T que é similar a benzodiazepínicos (remédios que sedam).

Sobre a toxidade, é preciso saber mais sobre isso por causa do crescente uso de plantas medicinais pelo povo para os informar de possíveis intoxicações que possa ocorrer caso beba o chá com frequência, pois tem alguns que danificam órgãos do corpo ou provocam alterações no DNA. Há poucos estudos que comprovam a eficácia e seguro uso da planta, em administrações em ratos e em nenhum animal houve óbito ou qualquer alterações pós-autopsia e um teste feito com células hemaptopoieticas (que estão envolvidas com a medula óssea, lugar onde se forma células totipotentes, que podem se diferenciar em qualquer outra) não foi observado efeito genotóxico.

Em estudos de alelopatia, a casca do Mulungu foi usado para fazer um extrato etanólico em frações hexânicas, clorofórmicas e acetato de etila com a casca em confronto com as sementes de Lactuca sativa e foi visto que  influenciou a germinação dessas sementes, porém não da fração de acetato de etila.

Partes usadas

Cascas e frutos. O fruto seco é usado como cigarro odontálgico e possui atividade anestésica


Como usar / Chás e receitas

Por ser leve, a madeira é empregada para fazer utensílios para o uso pessoal como calçados, para construção de jangadas, pois flutua, e outros objetos artesanais como brinquedos na região onde ocorre. A madeira é bastante suscetível a decomposição e o seu uso é limitado por isso. Por ser leve, é usada como estaca, mas é suscetível a fungos decompositores. Do tronco é retirado a casca para uso medicinal.


Pra que serve? (indicações)

ansiedadeNervosismoPeitoralpele seca

Cuidados no uso e advertências

O uso medicinal não é devidamente comprovado pela ciência, mas já há estudos que descrevem. Sua confiança para curar doenças se dá mais pelo uso popular.


Localização

É mais encontrada na Caatinga (Semi-árido do Brasil), porém também em regiões do litoral do nordeste, principalmente em Pernambuco, florestas latifoliadas de Minas Gerais e São Paulo.


Mais sobre esse assunto

Sinônimos: Erythrina aculeatissima Desf., Erythrina

splendida Diels, Corallodendrum velutinum (Willd.) Kuntze e Chirocalyx velutinus Walp.


Fotos:

mulungu na caatinga

Mulungu na Caatinga – Bahia / Foto de: Marlon Machado

beija flor mulungu

Beija flor de Mulungu – Foto de: Derek Keats

Última atualização: 10 de novembro - 2016 às 4:44
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