O cajuaçueiro é conhecido por dar um pseudofruto (a polpa do caju que conhecemos) muito apreciado, considerado até melhor que o do caju comum que é mais disseminado pelo Brasil. As castanhas (o fruto) também são comestíveis. Na Amazônia é produzido para venda. São consumidos in natura e feitos doces com o mesmo.


Nome científico
Anacardium giganteum Hanc. Ex Engl.

Outros Nomes

Caju-da-mata, Caju-bravo, Cajueiro-da-mata, Cajuí, Cajuí-da-mata


Família
Anacardiaceae

Características

  • Folhas: Subcoriáceas – 14-20 cm por 8-12 cm.
  • Flor: Floresce de agosto a novembro. Frutifica de dezembro a abril. Perfumada de cor rosa-clara, mudando para vermelha depois. O pedúnculo da flor é que é considerada o pseudofruto (o que comemos) e a castanha é o fruto verdadeiro (mas PE considerada uma semente com casca). A flor é melífera.
  • Copa densa, grande porte.
  • Semidecídua, Igrófita, mesófila, da floresta clímax, frequência elevada descontínua, produz sementes anualmente, as sementes são disseminadas pela avifauna.
  • 40 metros de altura (alguns autores dizem 25 a 30 metros)
  • No plantio, atinge 2 metros em 2 anos.
  • 1 metro de diâmetro (alguns autores dizem 50-90 de diâmetro de tronco)
  • Flores polinizadas por abelhas
  • Estrias verticais no tronco ou com desprendimentos em placas (com aparência de descascamento)

Esta espécie de cajueiro (Cajuaçu) é uma espécie arbórea da Amazônia também denominada Caju-da-mata, de habitat de floresta de terra firme e não em áreas de cultivo (não é bem cultivada, mas utilizada em reflorestamento, pois ela se desenvolve bem ao ser manejada). Como a planta Anacardium occidentale é mais popular, os nomes dados ao caju-comum também são usados para denominar esse Caju-da-mata. São várias espécies desse gênero que é necessário atentar para não haver confusão. Tem o caju-comum (Anacardium occidentale) e cajuzinho (Anacardium humile) que já abordamos aqui. Porém, mais próximo geneticamente a este Cajuaçu da Amazônia (Anacardium giganteum) tem A. sprunceanum (cajuí), A. parvifolium (caju-da-mata-ocidental), A. amapaensis (caju-da-mata-oriental), A. microsepalum (Cajuí-da-várzea), esta última ocorre somente em matas alagadas. Há também fora do Brasil o A. exelsum (espavé, caracoli), nomes populares derivados de idiomas do Panamá-Costa Rica e Venezuela-Equador, respectivamente. Voltado mais à América Central e é uma das maiores árvores da mata onde está.


Componentes Químicos

Cardol, Ácido Anacárdico


Benefícios no organismo e propriedades medicinais

CicatrizanteDepurativaDiuréticaVermífuga

Em testes em ratos feitos com o extrato da planta, foi visto atividade anti-ulcerogênica quando deixou ratos machos em jejum e bebendo somente água por 24h. A quantidade de ratos foi dividida em grupos de três. 1 grupo recebeu água destilada no local (estômago), antes e depois da indução da úlcera com a indometacina (potente ulcerogênico). O grupo 2 recebeu ranitidina (um fármaco potente que inibe a secreção do suco gástrico e é anti-ulcerogênico) antes e depois da indução da úlcera com a indometacina. O grupo 3 recebeu o extrato de Anacardium giganteum no local, também antes e depois da indução da úlcera com a indometacina. O resultado foi que, se comparado com a ranitidina (fármaco potente) o extrato do cajuaçu inibiu a úlcera em 50%, no que é um resultado bom, embora careça mais testes para confirmar. (Mais detalhes neste estudo sobre Anacardium giganteum)

Partes usadas

Além do “fruto” e da “semente”, a madeira também é aproveitada para a confecção de caixotaria, embalagens, compensados, etc. A casca da planta também é utilizada para fazer curtume. A densidade é bem leve (0,52 g/cm3) fácil de cortar, porém de baixa resistência a ataque de insetos. Talvez por isso -não ser de grande qualidade – que seja muito usadas para caixotaria simples.


Pra que serve? (indicações)

Anti-sifilíticaAnti-ulcerogênicaAntidispépticaAntissépticoCalçogastriteSudoríferaÚlcera Péptica Perda de tecido no trato digestivo, estes que estão em contato com a secreção do estômago. Pode ter surto e calmaria da doença. A causa é os mecanismos de defesa do Saiba mais...Verruga

Localização

Pará (mais comum, principalmente em Zona Bragantina e Baixo Tocantins), Amazônia, Guianas, Norte do Mato Groso. Enfim, regiões amazônicas em matas de terra firme, várzea.

(alguns detalhes sobre o cajuaçu no site da Embrapa)


Cultura e como plantar

Dica de produção de castanhas e polpa: Ao se plantar e esperar a floração e frutificação, esperar elas caírem no chão para colher e separar o fruto (pedúnculo da flor que na verdade é pseudofruto) da castanha (fruto verdadeiro). Não precisa deixar no sol, já está pronta a castanha para ser semeada. Quando pesada, 1 kg contém 350 unidades.

Dicas de produção de mudas: As sementes para o plantio são as castanhas (no caso é o fruto, a semente com casca) e não é tão fácil de germinar. Ela possui substâncias que inibem a germinação que deve ser retirado. Colocar submersas em água por dois dias trocando de água a cada 8 hora. Separar os vasos ou sacos com areia com matéria orgânica e de 15 a 25 dias acontece a germinação. Sem o tratamento com a água demora mais. Deixar as mudas em meia sombra e estarão prontas quando atingirem 30 cm.


Fotos:

textura tronco cajuacu

Casca do tronco de Cajuaçu – Foto: Embrapa

tronco cajuacu

Secção transversal do tronco de Cajuaçu

cajuacu

Pseudofruto de castanha de Cajuaçu

Última atualização: 1 de janeiro - 2017 às 10:33


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